Música e Mediocridade: Onde o prog entra nisso?

Hoje assisti esse vídeo fantástico do Paulo Anhaia, produtor musical que fez um comentário bem pertinente sobre o cenário da música autoral hoje em dia. Antes de ler meu texto, é legal ver o vídeo pra saber exatamente do que estamos falando.

Muito bom, não? Mas, onde o prog metal entra nesse papo?
Penso que nosso ritmo permite uma variedade enorme de combinações e experimentalismo. Você pode fazer uma música e colocar um saxofone ou um coral infantil, ou um som de vinil rodando, ou uma letra em 2, 3 idiomas diferentes, ou tudo isso junto, e ainda assim conseguir fazer algo coerente (justamente pela variedade de “soluções” que o prog oferece e da relativa compreensão do público já acostumado com essas doideiras todas). O chato da história é que mesmo com todas essas ferramentas, com toda essa beleza, ainda assim sofremos desse “mal generalizado”. Sim, dá pra ser igual mesmo sendo diferente, e é aí que a porca torce o rabo. Você pode ser virtuose (como muitos de nós, amantes do progressivo, somos), entender tudo de harmonia e improvisação, e ainda assim soar como uma cópia das grandes bandas, um genérico, o que não é ruim, mas também não é bom (é o mesmo lance da mediocridade que o Paulo comentou). Não vou ser chupeta e ficar fazendo mimimi de “metal está morrendo” como já estamos cansados de ver por aí. Acredito que estamos bem longe disso, mas também acredito que podemos ficar bem mais distantes dessa afirmação.

O outro lado da história (o público) também é válido aqui. É bem comum ler críticas na internet de bandas que tentaram (e conseguiram) fazer algo diferente e inovador. A impressão que tenho desse pessoal é a de que eles pensam que o mais próximo que você soar de uma banda cover, melhor. Pelo lado financeiro isso é bom? Bastante. Entretanto, eu penso um pouquinho mais além (e de forma menos comercial): A fórmula que usamos hoje foi concebida há anos atrás, fez sucesso e existe até hoje porque é boa (se fosse algo ruim, não duraria, vide as bandas pop que surgiram há 4, 5 anos e hoje ninguém mais lembra), mas, e a NOSSA fórmula? E aquilo que sentimos vontade de tocar? E aquela mensagem que a gente quer passar mas acha que ninguém vai ouvir? Música é uma ferramente muito poderosa, e sem dúvidas, se seu material for honesto, curioso, realmente diferente, as pessoas vão ouvir e aquilo vai fazer parte do cotidiano delas (lembra da fórmula antiga que eu citei? Eles foram tudo isso na época deles, daí um dos motivos do sucesso).

Evite o “Efeito Santana”

Posso estar sendo radical, mas acho que é injusto conosco mesmo quando juntamos aquele dinheiro bem difícil de juntar, somamos esforços, passamos horas e horas planejando tudo pra daí chegar no estúdio e fazer um mais do mesmo só por ser o que as pessoas querem ouvir ou só por ser o que elas esperam que a gente faça. Não devemos ter medo de decepcionar. Devemos ter medo de não surpreender a galera! Tem uma frase que gosto muito, ela diz que “O artista não deve levar sua arte para as pessoas. O artista deve atrair as pessoas para sua arte”. É esse o caso.

Sei que todo esse papo pode parecer utópico, mas lembre-se que música é mais que dinheiro. É carinho, é legado, é orgulho (orgulho bom, tipo o que sua mãe sente por você), é esforço e dedicação. Nenhum desses adjetivos paga suas contas, mas pode ter certeza que no fim das contas vão te proporcionar coisas que o dinheiro nem de longe é capaz de realizar.

Pense com carinho no assunto. Concorda? Discorda? Conte pra gente! Se quiser debater a respeito é só comentar o post ou aparecer lá na fanpage do ProgPizza. Ah, não esqueça de agradecer ao Paulo pelo vídeo lá no Twitter dele.

P.S.: Apesar da brincadeira de leve com o cantor Luan Santana, sou completamente contra ofensas a fãs, principalmente coisas desse tipo. Criticar um trabalho não é criticar quem fez ou quem gosta dele 😉

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