Pizzada com Diego Porres, do Seven Side Diamond

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A Pizzada de hoje é com um dos meus baixistas favoritos. Diego Porres, do Seven Side Diamond, é um dos músicos mais talentosos e criativos que já ouvi tocar. Se você gosta de linhas de baixo fora do comum, tenho certeza que vai curtir o trampo do cara. Ele deu uma entrevista muito bacana pro ProgPizza, falando sobre detalhes do disco Enigma, a experiência de tocar com o Yes e vários outros assuntos dourados e absolutos.

Bora pra entrevista então? Chama o texto aí pra gente, Silvio Luiz!

Rafa (ProgPizza) – E aí, Diego? Tô feliz pra caramba de poder te entrevistar. Antes da gente partir pras perguntas, tem aquela tradição anciã do site. Diz aí uma música pro pessoal ouvir enquanto lê nosso papo.
Diego – Shine on your crazy Diamond, do Pink Floyd.


Rafa (ProgPizza): Eu conheci o Seven Side Diamond no show do Dream Theater em SP, em 2012. Vocês tavam passando na fila distribuindo discos e batendo papo com a galera. A primeira coisa que a gente percebe quando ouve o som da banda é que o baixo é bem puxado pra frente, com várias frases geniais, mas sem soar pretensioso nem “solista”. Como você faz pra dosar isso?

Diego: Agradecendo o elogio e repassando para o resto da banda, eu diria que isso é uma característica da música do Seven Side Diamond – A maneira que os instrumentos se somam.

Em muitas bandas (principalmente se existe a palavra metal envolvida), o baixo e bateria acabam tendo que manter linhas mais simples e convencionais, para abrir caminho para virtuosismo na guitarra e voz. Mas, felizmente, a música do Seven Side Diamond é bem equilibrada nesse sentido.

Rafa (ProgPizza): Recentemente fiz uma review do Enigma. É um patcha disco com muita informação pra ser absorvida. Como foi o processo de composição do disco e da suíte?
Diego: Enigma é (pelo menos até então) a obra prima do André Fadel no Seven Side Diamond.

O André sempre teve um papel fundamental na composição. Ele trouxe as ideias e a banda tratava de dar vida para as melodias, harmonias e etc… Enigma, em particular, passou aproximadamente 1 ano sem a última parte (Speranza).

O André ainda não tinha completado o final da música, mas ela já estava com 29 minutos. Lembro bem do resto da banda dizendo: “Acaba assim que tá ótimo já!”, ou “E se a gente acabasse assim: tam tam taaaam ”, sugerindo um final daqueles bem épicos. Enfim, quando ninguém achava que o André ia se pronunciar a respeito, ele manda um email com Speranza de anexo, para concluir Enigma. E todos ficaram impressionados por ele tirar “da manga” essa maneira para acabar a música. Foi genial! Uma das melhores lembranças que eu tenho dessa época. Depois disso, ninguém mais se atreve a sugerir finais para as músicas do André ; )

Rafa (ProgPizza) – Outra coisa que eu acho espetacular é o conceito do álbum. Como vieram as ideias?
Diego – O conceito gráfico pode ser chamado de “imersão no surrealismo”. A inspiração para a capa veio de uma referência ao “Enigma sin fin”, de Salvador Dali.

Rafa (ProgPizza) –  E o DVD do Enigma? Como foi o processo de criação e gravação?
Diego – Depois que fizemos o vídeo de Shine, ficamos muito felizes como resultado. Decidimos fazer mais vídeos… como desgraça pouca é bobagem, escolhemos Enigma, com seus mais de 33 minutos de duração, para fazer um vídeo.

Apresentei a ideia para o nosso então fotógrafo, Fabio Fistarol, que vestiu a camisa e nos ajudou a concretizar esse vídeo. O talento e a visão do Fabio Fistarol foram simplesmente impressionantes. Não conseguiríamos ter feito algo perto do resultado final sem a ajuda dele. Pelo menos sem ter que assaltar um banco…

Rafa (ProgPizza) –  O Seven Side tem um histórico de vários shows fantásticos (inclusive, há vários trechos bacanas no YouTube). Como está a preparação pros shows de abertura do Yes? Vocês prepararam alguma surpresa pro público?
Diego – Cara… nunca ficamos tão ansiosos para um show. O YES é uma lenda para nós do 7side. Nos anos 90, éramos adolescentes e ficamos apaixonados pela música do YES.

Imaginar que 15, 20 anos depois teríamos a oportunidade de ver ao vivo Close to the Egde, Awaken…já era um sonho distante. Dividir o palco com eles, com lendas como Steve Howe, Chris Squire, foi muito, muito especial.
Estamos pensando em uma surpresa ou outra para o set list, mas… dado o nervosismo e o caráter da ocasião, é possível que a gente fique bem comportadinho nos shows ; )

 

Rafa (ProgPizza) – E como é a sensação de dividir o palco com uma das bandas de prog mais importantes da história?
Diego – É um sonho. É demais… Abrir show não é uma coisa fácil. Banda de abertura sofre, e sofre muito nesses eventos… Os produtores do show querem mais é se ver livres desse “obstáculo” no trabalho deles que é a banda de abertura… Se por um lado eles até têm razão, por outro lado, não, porque prejudicam extremamente as bandas de abertura para economizar 10, 15 minutos no cronograma da noite… Enfim, por ter tido muitas experiências difíceis no passado com abertura de shows, a gente costumava falar: “Cara, abrir show nunca mais! Só se fosse… tipo abrir pro YES” (fazendo aquela cara de “isso é impossível”).

Quando pintou o convite para abrir o YES, pensei: “Pronto… estamos f*didos!”

 

Rafa (ProgPizza) – Falando um pouco sobre sua trajetória, como foi que você começou a tocar e quais eram suas referências na época?
Diego – Comecei a gostar de Rock n Roll em 1989. Um vizinho tinha discos de vinil de uma banda de punk inglesa chamada “Toy Dolls”. O som era meio comédia (o que me chamou a atenção como criança que eu era). Porém, o guitarrista dessa banda é um dos melhores que eu já ouvi. Poucos tempo depois, convenci meus pais a me darem um contra-baixo (porque meu irmão já tocava guitarra).
Dali pra frente vieram os anos de 1991 e 1992, quando estourou o Guns n Roses no Brasil, Metallica apareceu com o álbum preto, Maiden lançou Fear of the Dark, o grunge apareceu com o Nirvana, Alice in Chains… não tinha como passar ileso por isso. Esse começo dos anos 90 mudou a vida de muita gente. Lá pelo final de 1996, entrei na fase psicodélica. Perdi interesse pelo metal (Maiden, Dream Theater) e fiquei ouvindo só progressivo (Yes, Floyd, King Crimson…) e jazz. Comecei a estudar piano… Por volta do ano 2000, voltei a ouvir metal… conheci os caras do Seven Side Diamond na faculdade e 3 álbuns depois, estou aqui respondendo essa entrevista ; )

Rafa (ProgPizza) – O que você tem ouvido em casa ultimamente?
Diego – Recentemente conheci mais a fundo o Tribal Tech, um dos melhores sons instrumentais do mundo!!! Tenho ouvido tbm as rádios web . Coloco lá no canal de Jazz, canal dos Beatles, de clássicos… e volta e meia sempre volto a ouvir Dream Theater.

Rafa (ProgPizza) – E a cena brasileira atual? Como é manter uma banda de prog num país com um gosto popular tão diferente?
Diego – É bem difícil, mas, é o que é. Não dá pra ficar reclamando de falta de atenção da mídia, falta de público… porque é uma escolha artística nossa. Eu prefiro não ter isso e ter uma arte que eu gosto e sinto orgulho em deixar para as próximas gerações.

Rafa (ProgPizza) – E os planos pro futuro? O que podemos esperar do Diego e do Seven Side?
Diego – Eu gostaria de saber essa resposta tbm… ; )

De concreto, ainda nesse ano temos o lançamento do Blu-ray ENIGMA.
Mas, enfim… podem esperar mais álbuns, shows, vídeos, projetos paralelos… A minha vontade é que a obra que o Seven Side Diamond vai deixar no final da carreira seja a mais extensa possível.

Bate bola:
Um baixista.
Zuzo Mossawer

Um disco.
Dark Side of the Moon

Uma música sua.
The River

Um sabor de pizza.
Da casa

Uma mania.
Erotomania

Um sonho.
Conhecer o Paul McCartney

Uma memória.
Meu primeiro baixo (um Tonante)

Rafa (ProgPizza) – Diegão, muito obrigado mesmo pelo seu tempo. A palavra é sua pra deixar uma mensagem pra galera.
Diego – Eu que agradeço. Agradeço você, Rafael, pela iniciativa e pelo trabalho realizado pela cena underground. Se nós deixamos alguma marca na história, ela só é possível através das pessoas que ouvem a obra da banda e dos que trabalham, como você, para divulgar e manter o nome vivo.

Obrigado – Um grande abraço – Visitem nosso site www.sevenside.com, e os perfis no Facebook e Youtube.

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