Pizzada com Fabio Caldeira, do Maestrick


 

Hoje é um dia muito especial para o ProgPizza pois estamos inaugurando nossa seção de entrevistas douradas e absolutas. As Pizzadas vão rolar sempre com o pessoal das bandas que aparecem aqui no blog e que tenham algo de bacana pra dividir com a gente. O nosso primeiro entrevistado é o Fabio Caldeira, vocalista e tecladista da banda Maestrick, que vem fazendo bastante sucesso devido ao seu som imprevisível e recheado de personalidade (tipo aquele biscoito Trakinas edição limitada). Espero que vocês curtam essa entrevista tanto quanto nós.


Rafa (ProgPizza):
Olá, Fabio! Muito obrigado pela presença aqui no blog. Pra mim é uma honra ter você como o primeiro entrevistado do ProgPizza! Antes de começarmos, queria pedir pra você indicar uma música pra galera. Uma espécie de “trilha sonora” pra entrevista.

Fabio: Grande Rafa! A honra é toda minha! É sempre bom poder falar a respeito de música, ainda mais com uma pessoa que aborda o assunto de uma forma tão inteligente e sincera quanto você no ProgPizza. Sobre a música, escolho a “Ceja de Selva”, de uma banda peruana chamada Frágil. Eles simplesmente simulam sons de uma floresta com instrumentos musicais nesse tema. É genial!

 

PP: Recentemente o Maestrick fez um show em Lima, no Peru, mas antes de falarmos disso, queria saber como começou a banda. Qual foi a ideia que impulsionou vocês no começo do projeto?


Fabio:
Bom, resumindo bem, eu e o Montanha que nos conhecemos desde os oito anos de idade, e montamos nosso primeiro projeto de banda aos onze. De lá pra cá, passamos por várias experiências em outros grupos até encontrarmos o Heitor, nosso baterista. Posso dizer que esse foi o primeiro dia do Maestrick, porque mesmo sem o nome ainda, o conceito, a base e o entusiasmo de tudo o que veio a seguir já estava ali. E é claro, ainda está! A ideia era a “inconsequência” que poderíamos abordar, mas de forma responsável. Esse foi o lema e a mola propulsora para que pudéssemos questionar direcionamentos musicais enquanto ideias, conceitos, estilos e finalmente, com uma opinião formada, nasceu uma forma de abordagem espontânea e natural. É óbvio que isso sempre está em evolução e é nossa vontade que assim continue. Sempre agregar sem que sobrecarregue as estruturas (risos).

PP:
Falando em evolução, que artistas você tem ouvido ultimamente? Tem alguma banda que você indicaria pra galera que está lendo nossa entrevista?

Fabio:
Bom, vou fazer um resumo porque uma das coisas que gosto mais de fazer é comprar discos e escutar música, não importa o estilo. Então eu sempre escuto muita música. Ao invés de indicar um só, eu posso automaticamente indicar todos os que eu citar? Caso sim, tenho ouvido muito um disco do Milton Nascimento que ganhei de um amigo, chamado “Geraes”. Ele faz uma abordagem muito interessante de toda a carreira dele e o material gráfico é muito bonito. Os últimos discos do Muse e do Nightwish, “The 2nd Law” e “Imaginaerum” respectivamente são fantásticos também. Grandes arranjos, ecléticos como sempre, e produções muito particulares, na minha opinião, perfeitas. De bandas nacionais, ando escutando muito o recém lançado EP da banda House of Bones, que com apenas três músicas já os desponta como uma das principais bandas nacionais. Tive o prazer de tocar com eles em alguns shows, inclusive na estreia da banda no começo desse ano, e de fazer os arranjos de teclado e orquestra pra música “Braille”, que está no EP. Sou fã desses caras como profissionais e como pessoas. Tem o disco novo do Santarem, “No Place to Hide”, que está muito bom e ficou no meu carro por um tempão. Em uma vertente mais progressiva, posso citar o Imagery e o Blue Mammoth, que apresentam temas muito bem compostos, com muito bom gosto e acima de tudo, muita espontaneidade. Ambas acabaram de lançar seus primeiros discos, respectivamente “The Inner Journey” e “Blue Mammoth”.  Finalizando, prometo que serão os últimos (risos), a banda Frágil, que nós tivemos a honra de compartilhar o palco no Lima Prog Fest, e é a principal banda do Peru na vertente do Rock Progressivo. Eles são uma lenda lá, existem há mais de 30 anos, já gravaram vários discos, inclusive um ao vivo com orquestra, que eu tive a felicidade de ganhar do dono de uma loja de discos na Galeria do Rock de Lima. E por último, mas não menos escutado, o disco solo  “Ensueños”, do Tavo Castillo, que é um dos maiores músicos que eu já conheci, e um dos mais aclamados do Peru. Ele é um senhor muito educado, humilde e esbanja emoção nas composições desse disco, tocando os teclados e as flautas. Acho que é isso (risos).


PP:
Caramba! Depois dessa porrada de artistas bacanas, queria saber um pouco sobre o debut de vocês. O disco Unpuzzle! teve uma excelente recepção por parte do público, o que é fantástico, ainda mais se tratando do primeiro trabalho de vocês. Na sua opinião, qual o ingrediente que torna esse disco tão especial pra quem ouve?


Fabio:
Eu confesso que não sei, Rafa. Talvez daqui há um tempo eu esteja apto a responder, mas não saberia dizer agora. Só posso dizer que fomos sinceros e que fizemos o melhor que pudemos com muito amor. Não procuramos ser ninguém além de nós mesmos e estamos muito felizes e gratos por ter sido assim e por termos tido o apoio e a dedicação de pessoas tão talentosas e especiais quanto as que tivemos para o lançamento do disco. Definitivamente, não se faz um disco sozinho!



PP:
Os shows da banda têm encenações e coreografias com um grupo de atores, o que é algo realmente diferente do que estamos acostumados a ver. Como tem sido a reação da galera a esse formato que vocês fazem?

Fabio: A melhor possível! Até agora, todo o feedback que tivemos foi muito positivo e isso nos deixou realmente entusiasmados. Sabemos que não é possível levar o elenco em todas as apresentações por conta de logística, mas esse formato é sempre a nossa primeira opção. Digamos que é o meio termo entre um show mais “cru”, que apresentamos no Peru e no Roça’n Roll por exemplo, e algo mais elaborado artisticamente, que não tivemos oportunidade de apresentar ainda. Mas temos ciência que é apenas o começo de um trabalho que está a cada dia mais crescendo e amadurecendo. A nossa ideia desde o começo foi propiciar experiências únicas e isso nos permite ser adaptáveis a cada local, desde que, é claro, nos seja oferecida uma estrutura mínima para que isso aconteça. E só uma curiosidade: o nome da tour é a junção dos nomes desses três formatos de shows que temos, o “Tea”, mais básico, o “Trick”, que é o meio termo, e o “All”, que é o mais elaborado, portanto “Tea-Trick-All”. Estamos já agendando os shows para o próximo ano, e esperamos mostrar, não importa em qual formato, a nossa concepção de apresentação para o maior número de pessoas possível.


PP:
Como você comentou agora pouco, o Maestrick participou do festival Roça n’ Roll, aqui no Brasil. Pra você, quais são as características que uma banda nova precisa ter pra conseguir se destacar e participar desses festivais maiores?

 
Fabio: Compromisso, seriedade e perseverança. Se você está convencido de que tem que se comprometer a fazer o melhor que pode no seu trabalho, convence as pessoas mais facilmente que leva o seu trabalho a sério e aí forma uma equipe disposta, profissional e focada. É necessário firmar objetivos e ter perseverança para tentar quantas vezes for preciso até atingí-los. Para exemplificar, desde 2005, com outra banda, sempre quisemos tocar no Roça’n Roll, mas não tínhamos material para apresentar. De lá até o dia que nos demos conta de que o “Unpuzzle!” já tinha saído e que poderíamos mandá-lo finalmente, passamos por muitas coisas e tivemos que usar tudo isso que citei, o que significa trabalhar consideravelmente. Pensando em um projeto de longo prazo, não vejo outro caminho.
PP: Falando do show em Lima, como rolou o convite pra vocês participarem do Lima Prog Fest?
Fabio: Eu conheci a Ana Maria Barajas, cantora da banda colombiana Nova Orbis, depois que o Maestrick estreou no programa Tierras Oscuras da rádio argentina Espectro FM. Ela gostou muito do nosso trabalho e nos apresentou a um produtor de eventos que conhecia em Lima. Para nossa sorte, ele estava escolhendo o cast para a segunda edição de um evento chamado “Lima Prog Fest”, e manifestou o interesse de nos contratar. Felizmente deu tudo certo e foi uma experiência fantástica e inesquecível.

PP:
Por aqui, ainda que isso esteja mudando, vemos que os artistas internacionais têm um certo tratamento especial do público brasileiro em detrimento às próprias bandas nacionais. Como foi a recepção do público peruano para vocês?

Fabio:
Foi além do que nós esperávamos. Tivemos uma agenda muito ocupada lá, com compromissos já programados pela organização do evento, e posso dizer com muita alegria que fomos muito bem recebidos em todos os lugares que visitamos. Todos muito solícitos. Alguns já nos conheciam, vinham nos falar das músicas preferidas do “Unpuzzle!” e das expectativas para o evento. Então foi uma grande honra e uma felicidade muito grande. Tenho certeza que as outras bandas internacionais que participaram têm as mesmas opiniões que nós.


PP:
O metal brasileiro tem um feeling único, que você só encontra aqui. E a cena peruana? Vocês encontraram muitos grupos com uma proposta diferente, como a do Maestrick, ou lá eles fazem algo mais tradicional?


Fabio:
A cena peruana, embora não muito grande ainda, é muito rica. Eles são muito inteligentes, conscientes da própria cultura e história. Eu confesso que em vários momentos senti o Brasil como um país alienado no meio da América do Sul. Não sei se é apenas pela língua, mas para se ter uma noção, qualquer pessoa que você aborda lá, sabe falar sobre o seu país, desde folclore até gastronomia. É um patriotismo muito diferente, natural e que acaba tendo como consequência, uma população muito consciente e esclarecida. E esse é o contexto que as bandas que conhecemos estão inseridas. Sobre elas, desde as instrumentais, até as com vocais, abordam a cultura local, seja através de letras, de instrumentos regionais ou ritmos típicos, e são admiradas pelo público por isso. É realmente uma atmosfera diferente que faz a gente pensar em quanta diversidade existe nesse mundo e quanto ainda temos a aprender e conhecer. Me senti como uma molécula de um grão de areia em uma imensa duna (risos).


PP:
E os planos para o futuro do Maestrick? O que podemos esperar pra 2013?
Fabio: Estamos agendando shows para continuar a divulgação do “Unpuzzle!” e provavelmente faremos alguns shows em parceria com outras bandas. Teremos a gravação do nosso primeiro vídeo clipe e em paralelo estamos começando a trabalhar no material para o nosso próximo “discos” (risos). Mas isso é um assunto que vou deixar para uma próxima conversa. Ainda temos muito trabalho com o “Unpuzzle!” e estamos focados nisso.   


PP:
Fiquei curioso agora, mas vamos manter o clima de mistério pra incentivar o pessoal a ficar ligado nas novidades de vocês. Mais uma vez, muito obrigado pelo seu tempo, brother! O espaço é seu pra dizer o que quiser pra galera.


Fabio:
Em primeiro lugar, muito obrigado a você, Rafa, por toda sua atenção, pelas excelentes perguntas e parabéns por toda sua dedicação à arte, em especial, à música. Foi uma grande honra inaugurar a seção de entrevistas do ProgPizza! Agradeço também a todos que estão lendo esse agradecimento e que apoiam o Maestrick, outras bandas e quaisquer manifestações artísticas. Desejo o melhor para todos e que cada um dentro do que acredita possa fazer o melhor para si mesmo e consequentemente para os outros. LUZ, PAZ E ARTE!


Site do Maestrick: www.maestrick.com

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