Pizzada com Raphael Dafras, do Almah

A Pizzada de hoje é com Raphael Dafras, o novo baixista do Almah e um dos caras que mais admiro no meio da música pela sua competência, humildade e amizade. Foi uma honra poder entrevistar o cara, e tenho certeza que você também vai curtir a entrevista. Falamos um pouquinho sobre carreira, projetos paralelos e, claro, a entrada no Almah e os planos para 2013. Como diria Silvio Luiz, “confira comigo no rrrrrrrrreplay!”.

Rafa (ProgPizza): Fala, Rapha! Valeu mesmo pela participação. Estou muito contente em poder te entrevistar. Antes de mais nada, vamos seguir a “tradição” das entrevistas do ProgPizza. Indica uma música pra galera ouvir enquanto lê nosso papo


Raphael Dafras: É um grande prazer poder estar aqui dando esta entrevista. Valeu, Rafa!
Bom, indico a música Misty Dreams, do recente disco que gravei e produzi na Suécia, do vocalista Germán Pascual.


PP:
Você é um cara que já está na cena há algum tempo tanto como músico quanto como produtor. Como você começou nesses 2 campos e o que percebe que mudou no seu estilo de lá pra cá?

Raphael: Iniciei minha carreira musical há 12 anos atrás, através de amigos do colégio que me convidaram para participar de um festival na época. A música não era meu objetivo principal… jamais pensei em tentar seguir na música como profissão. Pensava mesmo em tocar por hobbie e nada mais. Meu lance na época era tentar ser jogador de futebol, hehe. Resumindo, peguei gosto pelo baixo e as coisas foram acontecendo alguns anos depois com muito sacríficio e muito estudo. Assim foi também com o início em trabalhos de produção musical, consolidando minha carreira como produtor e compositor no recente disco que gravei e produzi junto com vocalista Germán Pascual (ex-Narnia), intitulado A New Beginning.

PP: Que bandas estão na sua playlist ultimamente? Tem alguma banda que você indicaria pra galera que está acompanhando nosso papo?

Raphael: Ultimamente tenho ouvido um pouco de  Demon Hunter, Darkane, Amaranthe, Evergrey, Textures, Xerath, Symphony X, Pagan’s Mind, DivineFire, Narnia e Almah.

PP: Recentemente você foi convidado para entrar no Almah. Estar numa banda desse naipe é um sonho pra muitos músicos. Como rolou o convite?

Raphael: Sem dúvidas é muito legal esse lance de ser fã, curtir o som da banda e simplesmente do nada estar tocando com eles (risos). A sensação de choque é a melhor parte, quando você sabe que está na banda (risos), e também, com certeza, é uma grande honra e uma grande porta que Deus abriu para mim. Sobre o convite, eu estava em Campo Grande – MS, quando recebi um e-mail do próprio Edu Falaschi alguns dias depois da saída do Felipe Andreoli, dizendo que estava procurando por um baixista de São Paulo, que tinha visto meus vídeos no YouTube indicado por alguns amigos e que tinha gostado muito. Me elogiou e me fez um convite para conversarmos, então na volta de Campo Grande já fui direto ao estúdio dele e conversamos, acertamos os detalhes dos próximos shows que já estavam marcados e que se desse tudo certo, e eu curtisse estar na banda, a vaga era minha. O Edu já estava bem certo quanto a escolha dele por mim pra suprir a vaga deixada pelo Felipe, mas também tinha o lance da aprovação dos outros membros, pois ainda não tinha conversado e nem tocado pessoalmente com ninguém, embora já tivesse contato com o Marcelo Moreira via MSN, mas como a correria é tanta não chegamos a conversar sobre uma possível entrada minha ou algum teste pra entrar. Até posso citar o nome de quem começou a brincadeira de verdade, que foi meu brother Raphael Jorge (do Heptah), que enviou meus vídeos para a assessoria da banda, a MS Metal Press. Gostaria de aproveitar e agradecer pela força que me deu naquele momento! Valeu, Rapha 🙂


PP: E a galera da banda te recebeu bem? Como foi a reação depois dos primeiros shows?

Raphael: Foi demais! Nos reunimos uma semana antes dos 3 shows que fizemos em sequencia nos dias 6,7 e 8 de setembro. Fizemos 2 ensaios de mais ou menos 5 horas cada um, que foram muito proveitosos, apesar do pouco tempo. A receptividade de todos foi muito boa, com um clima super tranquilo e de caras completamente comprometidos com a música, sem muito bla bla bla. Com tudo ligado no estúdio, já metemos ficha. A energia logo no primeiro ensaio foi demais, deu uma liga bem bacana e deu tudo certo no entrosamento.
Nos primeiros shows rolou aquela tensão natural, pois a galera tá ali te analisando (rs). É normal, mas graças a Deus deu tudo certo, pois tinha feito a lição de casa e estava armado pra estar no palco e fazer minha parte, que resultou em boas resenhas e notas sobre os shows com minha performance.

PP: O Almah está lançando mais um clipe do Motion, o que é ótimo, pois o disco tem várias faixas incríveis e que merecem esse tipo de cuidado. A gravação dos vídeos foi tranquila? Qual foi a parte que você mais curtiu do processo todo?

Raphael: A princípio foi tudo tranquilo. Gravamos 2 vídeo-clipes na verdade, um dia 27 e outro no dia 28 de outubro. Pra mim era algo novo, pois era minha primeira vez gravando um clipe com uma banda desse nível. Foi bem divertido! A parte que mais gostei foi uma em que todos filmamos individualmente batendo cabeças (risos). Apesar que isso me rendeu fortes dores no pescoço no outro dia, haha.

PP: Agora fiquei curioso pra ver o resultado dos clipes! Você teve uma grande responsabilidade ao entrar na banda, que foi substituir o grande Felipe Andreoli. Como você lida com isso? Você procura seguir à risca os arranjos do cara ou coloca algumas coisas suas quando vai interpretar as músicas da banda?

Raphael:
Bem, como todos sabem, o Felipe é um grande baixista, que tem muita influência no meu estilo de tocar metal. Boa parte da carreira dele eu acompanhei, tanto no Angra quanto no próprio Almah.
Sobre a responsabilidade de assumir um cargo que era dele, sem dúvida é chumbo grosso (risos), mas com o caminhar as coisas vão se acertando e vou conquistando meu espaço aos poucos.
Sobre os arranjos, em parte sim, do que já foi gravado por ele, procuro seguir à risca, pois é aquilo que o fã está acostumado a ouvir, então acho legal respeitar o que já foi construído.
Quando sair o novo disco, aí sim é a minha vez de colocar as minhas ideias tranquilamente.

PP: Uma das coisas mais chatas que acontecem com quem substitui um membro de uma banda é a galera fazendo comparações. Isso rolou contigo?

Raphael:
Rolou sim, mas nada negativamente, pelo menos até onde eu li. As comparações foram de igual pra igual, fui muito elogiado, até mesmo pelo próprio Felipe quando viu minha versão de Days of The New.

PP: Hoje em dia é muito difícil de se lidar com música profissionalmente. Que conselho você dá pra quem quer começar uma carreira musical e chegar no mesmo patamar que você chegou?

Raphael: Como você mesmo disse, não é fácil. O que acontece muito hoje em dia é o medo de investir pesado naquilo que tanto se quer. Um exemplo está em fazer música para mostrar para os amigos e investir R$00,00 e a outra é tirar as músicas, se virar pra conseguir grana pra fazer um lance decente quando não se tem apoio de gravadora ou um investidor. Hoje  o mercado é muito competitivo. Existem muitas bandas boas no mundo todo, então se você não investe, não corre atrás e trabalha com pessoas que não pensam da mesma forma que você, automaticamente já fica complicado de se entrar no mercado, então aquele tão sonhado projeto de banda fica travado se não tem investimento. Não vai mesmo, ainda mais na cena do metal, que no Brasil que já é complicada pra caramba.
A dica que eu dou é investir em si mesmo, estudar, compor boas músicas, buscar pessoas que tenham o mesmo foco que você, que queiram viver da mesma maneira que você… a partir daí já é o primeiro passo para se conseguir espaço no mercado. Se você tem talento, obviamente as coisas vêm com o tempo.

PP: Você é um músico cristão que concilia trabalhos de bandas cristãs e seculares, o que é algo realmente style. Como a sua fé no cristianismo te ajuda nesse dia a dia do trabalho?

Raphael: Bom, eu não tenho nenhum tipo de problema em relação a trabalhar com bandas seculares. Se você é músico e quer viver de música, tem de trabalhar com tudo. Também trabalho com produção musical, faço trabalhos com bandas cristãs e seculares. Viver de música gospel no Brasil é muito complicado, temos vários exemplos de artistas cristãos que estão envolvidos com outros tipos de trabalhos, fazem freelance e estão lá firmes na fé. Assim eu também sigo. Tenho Jesus no meu coração e estou lá para fazer a diferença, pois sei que posso ser usado a qualquer momento, em qualquer lugar onde eu estiver e mostrar que com Jesus a vida é diferente.

PP: Acho muito bacana sua forma de lidar com esse tema. Mudando um pouquinho de assunto, o que podemos esperar pra 2013? Tem algo que já dá pra adiantar pra galera?

Raphael: Tenho algumas produções que estou trabalhando, mas que ainda não posso revelar muita coisa. Enquanto isso estou trabalhando firme com o Almah, que se prepara para gravar o novo disco a partir de janeiro, além do dvd que também já está no gatilho. Enfim, vai acontecer muita coisa boa com a banda neste ano! Vocês não perdem por esperar, hehehe.

PP: É isso! Valeu demais pela atenção, Rapha! O espaço é seu pra dizer o que quiser pra galera.

Raphael: Gostaria de agradecer a você, Rafa, e a galera do ProgPizza. Foi um bate-papo legal! Gostei muito de poder compartilhar um pouco da minha empreitada!
O outro salve vai pra toda a galera que tá lendo. Valeu mesmo, galera!!! Nos vemos nos palcos por aí!!! Um grande abraço e fiquem com Deus.

 

Raphael Dafras no Facebook: www.facebook.com/raphaeldafrasbass

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