Review: Bigorna, do Cartoon

Capa - Bigorna

O Cartoon é um dos principais representantes da música progressiva no Brasil. Com uma discografia respeitável, os caras parecem não ter limites imaginativos. E falando em imaginação, o disco que vou resenhar hoje é o Bigorna, de 2002, um dos trabalhos mais bem sacados que já ouvi. Bigorna é considerado como a primeira Opera Rock nacional, e é uma das mais importantes até hoje. A ideia é contar a “verdadeira” história do Rei Arthur e seus Cavaleiros, com um toque de humor e uma pancada de elementos inusitados. A espada Excalibur, por exemplo, é retratada aqui como um martelo. Há também a presença de Robin Hood e vários outros personagens malucos que você vai conhecer no decorrer da história.

A atmosfera medieval invade nossos ouvidos desde os primeiros segundos, e apesar da banda experimentar vários estilos e sons diferentes, essa atmosfera permanece durante todo o CD, nos lembrando da história que está sendo contada. Além dos instrumentos “convencionais” que toda banda de rock usa, o Cartoon colocou passagens de instrumentos de orquestra, como flautas, trompetes e cello e até alguns mais exóticos, como sítara, gaita, harpa e esraj (uma espécie de violino indiano). Isso torna o disco em uma experiência sonora muito mais profunda. Explorar esses diferentes sons com certeza vai ampliar sua definição do que é musicalidade.

Algo que eu não poderia deixar de comentar é a interpretação do vocalista Khadhu. Quando vi que era uma Opera Rock com apenas um vocalista principal, estranhei. E sim, a primeira coisa que me veio à cabeça é verdade. O cara interpreta todos os personagens da história. O que eu não imaginava é que a qualidade da interpretação fosse tão boa. Poucas vezes na vida ouvi algo do tipo. Você consegue distinguir os personagens “falando” e interagindo entre si, da mesma forma que em outros projetos similares com mais vozes, só que o nível de atuação apresentado em Bigorna (e aqui eu também incluo todos os instrumentistas) é algo fora do normal.

Outro aspecto fantástico do álbum é a forma como as harmonias e melodias acompanham o que está acontecendo na história. Cada composição de Bigorna tem sua beleza própria, e a técnica dos músicos, assim como a produção, dão corpo ao universo criado pelo disco. É uma viagem fantástica por timbres, melodias, cores, ótimas letras e uma cacetada de feeling.

Se você se interessar pela história, tem também o livreto com os quadrinhos que contam a aventura do Martelo. Quem é leitor antigo do ProgPizza sabe o quanto eu sou apaixonado por esse tipo de conteúdo extra. Gostei demais dessa HQ!

Os destaques, pra mim, ficam com: Guinevere, The Last Battle e The Great Gates of Freedom.

Sendo um disco tão plural e singular ao mesmo tempo, Bigorna, pra mim, é um dos maiores clássicos do prog nacional. Uma obra atemporal que merece ser visitada por várias e várias vezes.

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