Review: The Division Bell, do Pink Floyd

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Hoje vim falar de um dos discos mais emblemáticos do Pink Floyd, e um dos meus favoritos também. The Division Bell foi lançado em 1994 e, infelizmente (apesar das reuniões que aconteceram nesses últimos tempos para shows especiais), é o último disco da banda. Na época em que foi lançado, ele era meio que um álbum de “retorno”, pois seu antecessor, A Momentary Lapse of Reason, é de 1987.

Até hoje se fala muito sobre The Division Bell por conta do Publius Enigma. Eu vou escrever um texto sobre isso em alguns dias (quando estiver pronto, vou colocar um link aqui). Esse enigma foi lançado em uma comunidade online do Floyd na época, e despertou a curiosidade de MUITA gente (incluindo este que vos escreve). Publius (codinome do mensageiro anônimo) prometeu um prêmio inestimável ao primeiro fã que resolvesse o quebra-cabeça. O disco tem pistas e mistérios espalhados por todos os cantos, e apesar dos boatos de que houve um vencedor, até hoje o desafio permanece sem solução.


O clipe oficial legendado pode ser visto neste link.

Mas vamos falar das músicas. The Division Bell tem uma musicalidade bem característica. Ele é, à sua maneira, diferente dos outros discos do Pink Floyd (também pela ausência de Roger Waters), e traz de volta aquele clima fantástico que CDs como o Dark Side of the Moon têm. Logo de início somos recebidos com Cluster One, uma faixa instrumental bem contida, mas muito legal de ouvir pelos efeitos de guitarra e teclado. É aquele tipo de música difícil de digerir pra ouvidos desacostumados, mas quem já ouve Floyd há algum tempo vai gostar pra caramba.

Quando entra o vocal em What Do You Want from Me, é um dos momentos mais impressionantes do álbum. A voz envelhecida de David Gilmour soa incrivelmente bem nesse trabalho. O mesmo pode ser dito sobre o tecladista Rick Wright na faixa Wearing the Inside Out. Sou fã do Roger Waters, mas penso que, nesse disco, os vocais precisavam ser do Gilmour. A interpretação dele em músicas como High Hopes é algo que vai muito além da média. Tem aquele toque “surreal” que já presenciamos em tantos momentos da banda, e que são sempre muito bem-vindos.

Indo pra parte mais técnica, a gente encontra todos aqueles elementos que se esperaria de um disco com David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright. Os arranjos e as timbragens escolhidas estão impecáveis (aliás, se você é guitarrista e gosta dos timbres usados pelo Gilmour, um site que indico é o Gilmourish, que tem a lista completa de pedais e equips usados pelo David ao longo da carreira. É uma ótima ferramenta pra quem quer tirar covers nos mínimos detalhes). O baixista convidado, Guy Pratt, deu uma entrevista tempos atrás, dizendo que gravar The Division Bell foi um processo complicado. Olhando o resultado final, acredito que valeu a pena todo o esforço dos caras em buscar uma sonoridade icônica pra esse trabalho.

O tema das letras e o feeling das canções andam de mãos dadas neste CD. Apesar de aparentarem uma “simpatia” (sic), você percebe que há alguma coisa escondida lá. É meio que um Onde Está o Wally musical. Tem aqueles desenhos bonitos, aquelas cenas divertidas, mas muito da diversão é procurar o tinhoso da blusa listrada. É mais ou menos assim que eu interpreto esse disco, mas com uma carga artística extremamente rara de se encontrar por aí. É sempre uma ótima experiência ouvir esse álbum. É como visitar velhos amigos pra comer uma pizza, ouvir suas histórias e relembrar os bons momentos.

As faixas que escolho como destaque, são Poles Apart, Wearing the Inside Out, Lost for Words e High Hopes. Uma curiosidade é a participação do físico Stephen Hawking (que é um grande fã da banda) usando sua voz digital em Keep Talking.

Se você nunca ouviu The Division Bell ou mesmo se você já conhece o álbum desde seu lançamento, esse é um trabalho que eu recomendo pra todos os fãs do bom rock progressivo.

Setlist:
01. Cluster One
02. What do You Want from Me
03. Poles Apart
04. Marooned
05. A Great Day for Freedom
06. Wearing the Inside Out
07. Take it Back
08. Coming Back to Life
09. Keep Talking
10. Lost for Words
11. High Hopes

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