Review: Hand. Cannot. Erase., do Steven Wilson

handcannoterase

Steven Wilson está se tornando o Ayrton Senna do prog. Depois de excelentes lançamentos na sua carreira solo, como o aclamado The Raven that Refused to Sing, e de projetos brabos, como o Storm Corrosion, Stevetinho não para!

E é nessa pegada de trazer coisas novas ao estilo que ele lançou Hand. Cannot. Erase.

Já ouvi algumas pessoas falando que esse é o The Wall dos dias de hoje, e eu concordo um pouco com essa afirmação, pois não acho os trabalhos esteticamente parecidos, mas tudo o que envolve eles é bem semelhante. Ambos possuem músicas fantásticas com a cara da época em que foram lançados e ambos falam, baseados em histórias reais, de problemas do dia a dia que acabam por nos sufocar. É aqui que entramos no que eu acredito ser uma das coisas mais fascinantes em Hand Cannot Erase: o conceito.

O álbum é baseado numa história real de uma mulher com cerca de 30 anos que foi encontrada morta em seu apartamento em Londres. O curioso é que a biopsia revelou que ela já estava morta lá há 3 anos, e durante todo esse tempo ninguém foi atrás dela. A partir daí o Steven criou uma história que traz muitas reflexões sobre o nosso relacionamento com as pessoas que nos cercam e sobre como a falta de amor pode ser perigosa.

Tem até uma edição de colecionador toda caprichada e que aumenta demais a imersão na história. Vou deixar aqui o link pro unboxing desse material.

Hand. Cannot. Erase. é um dos melhores discos do Steven Wilson na minha opinião, e não é muito difícil entender o motivo. Toda a ambientação da história é extremamente bem feita, incluindo não apenas as composições em si, mas a produção no geral. Tudo é bem cuidado, com atenção aos detalhes, criando as atmosferas ideais pra cada momento do conceito.

Claro que o álbum não é apenas história. Existem detalhes que realmente fizeram a diferença, como a participação de um coral de meninos e os vocais da israelense Ninet Tayeb, que fizeram o trabalho soar gigantesco. Eu não conhecia o trabalho da Ninet e fiquei surpreso demais. Foi uma escolha que somou muito ao resultado final.

Também gostei dos refrões desse álbum, e penso que devem acrescentar à experiência de assistir aos shows, com todo mundo cantando junto essas melodias espetaculares. No geral, este é um disco diferente do seu antecessor, mas a mesma musicalidade, a mesma qualidade de composição e a mesma força dos sentimentos que as músicas passam estão presentes aqui.

Somando os timbres escolhidos a dedo, uma produção caprichada, letras extremamente atuais e, o principal, canções que falam com o ouvinte, Hand. Cannot. Erase. é um clássico desde seu nascimento. Steven Wilson acertou demais a mão aqui, e espero que no futuro possamos ver mais álbuns tão bons quanto este.

Os destaques ficam com 3 Years Older, Routine, Home Invasion e Transcience.

Steven Wilson no Facebook

Você pode gostar...

  • Lucas Mendes

    Realmente um ótimo álbum! Steven Wilson é um dos estandartes do prog na atualidade, sendo reconhecido pelos clássicos como excelente produtor e/ou compositor.

    • Pra quem diz que o prog ficou no passado, ele é uma das provas de que o estilo está mais vivo do que nunca!