Review: Mockroot, do Tigran Hamasyan

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Conheci o trabalho do Tigran Hamasyan numa conversa com um amigo sobre metal moderno. Estávamos falando de algumas bandas que gostamos e ele me recomendou um pianista que soava como prog metal. Fiquei curioso pra saber como uma música de piano poderia parecer com outro estilo bem diferente. Foi aí que conheci o disco Mockroot.

Minha coisa favorita no trabalho do Tigran é a forma como ele recria os estilos mais variados no piano. Mesmo com uma estrutura de instrumentos bem simples (a maior parte do tempo é apenas com piano, baixo e bateria), o som consegue passear pelo jazz, música clássica, eletrônica, oriental e até algo próximo ao djent. Você consegue imaginar uma banda como o Periphery tocando coisas com uma contagem de tempo idêntica, e ouvir essa característica em músicas protagonizadas pelo piano, sem qualquer peso de guitarra, é algo espetacular.

Outra característica interessante são as vozes, que funcionam como instrumentos mesmo, e criam algumas das texturas que mais dão personalidade a Mockroot. Mesmo não cantando letra alguma, os vocais têm o mesmo efeito de qualquer outra banda “normal”, carregando a gente através dos acordes e das melodias.

Falando em melodias, se você é fã de músicas dirigidas por elas, vai encontrar algumas das melhores melodias dos últimos anos. A musicalidade do Tigran e de toda a banda é fantástica, e a produção enfatiza essas qualidades. Uma grande composição não soa decentemente sem uma boa produção, e nesse disco há o melhor dos dois mundos.

O título e a capa de Mockroot fazem referência à resistência da natureza sobre a complexidade humana. Mesmo com todas as intervenções do homem, a natureza sempre encontra um jeito de se adaptar e reinventar. Esse é um conceito que define muito bem a sonoridade que encontramos no disco. Mesmo sendo baseada em um estilo já estabelecido, ela consegue contornar isso e se mostrar criativa mesmo quando você acha que não existem mais caminhos possíveis para as músicas seguirem.

Mockroot já é um dos meus discos preferidos de 2015. Minhas músicas favoritas até agora são Song for Melan and Rafik, The Roads that Bring me Close to You, The Apple Orchard in Saghmosavanq (nome difícil, e eu não usei o CTRL+V. Sério! hahahaha) e The Grid.

Tigran Hamasyan na Internet

 

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