Review: Periphery 3 – Select Difficulty

O ano está quase acabando, mas eu não poderia deixar de comentar um disco que com certeza está na minha lista de melhores lançamentos de 2016 (talvez o melhor, mas tá bem difícil escolher um).

Para ouvidos desatentos, Periphery 3 – Select Difficulty é um monte daqueles “grito nada a ver”, mas se você ouvir com a mão no coração e o olhar no horizonte, verá que estamos diante de uma evolução do metal progressivo. O álbum é agressivo pra caramba, mas todos os elementos de um ótimo disco de prog metal estão lá. Seja pela técnica impecável da banda, pelas composições malucas, pela versatilidade vocal, pelo uso constante de sintetizadores (uma novidade pra mim num CD desse estilo) ou por tudo isso misturado, são muitos os momentos que a gente ouve e pensa “Caramba! Eu queria fazer parte dessa banda!”.

O Periphery sempre foi uma banda que fugiu daquele estereótipo bem Dream Theater que muitas bandas de metal progressivo seguem (não que esse seja um estereótipo ruim de se ouvir), mas a cada disco, além de reafirmar uma identidade forte, eles vão deixando as músicas mais lapidadas. Em Select Difficulty há mais destaque do que nunca para os vocais e vários refrões que se aproximam de uma pegada mais pop, mas sem soar “easy listening” (não sei se descrevi direito, mas confia no pai e ouve as músicas que você vai sacar).

Uma coisa marcante logo de cara é o quão definido o som é, mesmo com todo o peso. Acredito que muito desse efeito vem das afinações diferentes que eles usam e das guitarras de 7 e 8 cordas também. Dessa forma, não é necessário carregar na distorção ou nos drives (embora esses estejam bem presentes também). É muita coisa acontecendo o tempo todo, mas é possível distinguir cada coisa. Talvez seja essa uma das minhas características favoritas nesse álbum. Dá pra acompanhar cada parte do caos e ficar impressionado com cada uma dessas partes.

Também tive uma surpresa, que foi a última faixa, Lune. Não esperava algo tão diferente assim, e se tornou uma das minhas favoritas de todos os discos do Periphery. Os corais, os sintetizadores, a melodia… tudo é muito bem encaixado e encerra um excelente álbum de forma espetacular.

Algo que está diferente dos anteriores é a ausência (ou quase) de trechos eletrônicos. Em Periphery 3 esses experimentalismos partem mais pra um lado orquestrado, com pianos e os sintetizadores que comentei lá em cima. Isso é visível no “solo” de Remain Indoors, por exemplo. Esse é um elemento novo para a banda, e foi algo que gostei demais!

Normalmente eu finalizo o texto escolhendo minhas favoritas, mas é muito difícil separar músicas desse álbum. Seja pra ouvir detalhadamente (separando aquele tempinho SÓ pra ouvir música), deixar rolando no carro, enquanto você trampa ou o que quer que seja, Periphery 3 – Select Difficulty é um disco que vai te divertir com sua variedade, intensidade e sua musicalidade insana!

Agora só falta um show dessa tour aqui no Brasil. Será que se eu mandar uma carta pro Gugu ele realiza o sonho?

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