Review: Sound Seasons, do Murillo Xavier

Eu não poderia começar o ano no ProgPizza com qualquer disco. Tem vários trampos que eu quero trazer aqui pro site, mas assim que ouvi esse, tive de passar na frente na fila. Trata-se de Sound Seasons – Volume 1, do príncipe da guitarrra Murillo Xavier. Você deve ouvir esse álbum não porque o cara é brasileiro e talentoso, mas porque é um discasso com muito feeling e várias ideias espetaculares.

Sound Seasons mistura elementos de jazz, prog, funk americano e outros estilos nessa pegada, com algumas pitadas de música eletrônica aqui e ali. O resultado são músicas criativas e divertidíssimas de se ouvir, que dão um ângulo novo pra música instrumental com foco na guitarra.

Uma coisa legal sobre esse álbum é que ele tem uma porrada de momentos virtuoses, mas soa digerível o bastante pra mesmo quem não está familiarizado com música instrumental ou não é músico possa ouvir e aproveitar a experiência tão bem quanto estudou 15 anos na Berklee.

Todas essas características que eu comentei vêm embrulhadas naquele carinho da música independente. Todo o trabalho em Sound Seasons foi feito sem a ajuda de grandes gravadoras, e inclusive contou com financiamento coletivo pra acontecer. Apesar de ser mais difícil fazer um CD dessa forma, é possível colocar um carinho em cada detalhe, e a gente percebe isso ao longo de cada faixa. É um som verdadeiro, que não apenas bebe de várias fontes, mas cria a sua própria fonte.

O som ficou experimental, com algumas partes pesadas e outras com instrumentos de sopro, mas, como comentei, soando amigável até pra quem não é acostumado a ouvir coisas nessa pegada. Essa característica não parece ter sido planejada, pelo contrário, Sound Seasons soa como algo feito com a música e a arte em mente, e nada além.

Sou um grande fã de progressões de acordes malucas, e se você é como eu, vai achar várias delas aqui. O álbum é recheado de nuances diferentes, complementadas com melodias que ficaram na minha cabeça o dia todo. Um exemplo disso está em Orange Tongue (o nome dessa música me lembra aqueles geladinhos de laranja, que até onde eu sei, é a única forma de deixar a língua alaranjada). Aliás, essa faixa tem um clipe bem legal. Saca só:

Sound Seasons mostra que a música independente no Brasil segue firme e forte, e que a força de vontade e inspiração não têm substitutos quando falamos de música. Espero que esse disco chegue no ouvido de muita gente e inspire as pessoas do mesmo jeito que me inspirou.

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