Review: The Divine Wings of Tragedy, do Symphony X

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Quando eu pensei em escrever sobre The Divine Wings of Tragedy, do Symphony X, a ideia era pegar uma música do disco e comentar sobre ela na coluna dos Clássicos, mas acabou que, no processo de escolher uma faixa, eu achei que seria injustiça não fazer uma review à altura desse que é um dos meus álbuns de prog metal favoritos.

Ganhei o Divine Wings no meu aniversário de 18 anos, e me lembro que na época eu nem dei muita bola. Achava que um disco “velho” daqueles (lançado em 97) não tinha muito pra oferecer comparado com o prog moderno que temos hoje (um estilo que eu acompanho bastante). Fuçando na minha coleção de discos mais ou menos um ano depois, eu achei o dito cujo lá no meio e coloquei pra rodar. Foi ali que eu tive meu primeiro contato de fato com o trabalho do Symphony X, me tornei fã da banda e ganhei mais alguns nomes pra minha galeria de “heróis da música”.

Apesar das timbragens como um todo remeterem a um tipo de som mais antigo, as músicas de The Divine Wings of Tragedy têm uma sonoridade extremamente atual. Esse é o segundo trabalho do Symphony X com Russel Allen nos vocais, e nesse CD em especial a gente pode ouvir ele cantando com uma voz menos agressiva (mas com todas as características que estamos acostumados) do que nos trampos mais atuais da banda (como é o caso do Iconoclast), e isso não quer dizer que a participação dele seja pouco impactante, pelo contrário. A interpretação do cara é de arrepiar!

Outra coisa legal de reparar é que além da banda toda ser impecavelmente técnica, não é apenas disso que o álbum é feito. Divine Wings mistura toneladas de feeling, criatividade e letras épicas (que não só contam histórias mitológicas, mas também falam de assuntos do cotidiano, com uma cacetada de passagens reflexivas).

Falando em técnica, um “capítulo à parte” desse trabalho é o baixista Thomas Miller. Sério. O cara seguramente está na lista dos melhores baixistas de prog de todos os tempos, apesar de estar “fora da mídia” desde que deixou a banda. As linhas de baixo, a forma como ele toca e a musicalidade do Thomas são fora do normal. Isso sem falar das letras. 4 das 9 letras de Divine Wings of Tragedy têm a mão do cara. Mais do que um baixista, Miller é um músico com visão artística, o que faz toda a diferença, inclusive em clássicos imortais como esse disco.

A suíte que leva o nome do álbum tem mais de 20 minutos de duração, e é muito divertido explorar cada trecho da música. Essa é uma das suítes mais explode-cabeças que eu já escutei. A variedade de passagens é impressionante, e mostra que o Symphony X não é só peso e frases rápidas. Taí uma faixa de derrubar o sabiá do poleiro.

Pra finalizar, é legal falar da produção, que ficou a cargo do Steve Evetts e do Eric Rachel. Eles conseguiram tirar o melhor da banda, tanto nas composições quanto na técnica e na sonoridade. The Divine Wings of Tragedy é um trabalho repleto de experimentalismo, mas maduro e pesado. Uma masterpiece completa.

Tracklist:
01. Of Sins and Shadows
02. Sea of Lies
03. Out of the Ashes
04. The Accolade
05. Pharaoh
06. The Eyes of Medusa
07. The Witching Hour
08. The Divine Wings of Tragedy
09. Candlelight Fantasia

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