Review: Tom do Sertão, de Chitãozinho e Xororó

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Esse é o primeiro disco sem qualquer vestígio de rock que eu trago aqui pro site. E eu decidi escrever sobre Tom do Sertão por alguns motivos. Talvez o mais importante é o fato de que ver dois artistas já consolidados na música brasileira ainda tentando coisas novas, traz uma curiosidade, e uma alegria, muito grandes. Chitãozinho & Xororó já estão na estrada há mais tempo do que eu tenho de vida, e enquanto eles poderiam simplesmente lançar aquelas coletâneas de “Best of” anualmente (afinal de contas, já não precisam provar mais nada pra ninguém), decidem gravar um álbum inteiro apenas com músicas do Tom Jobim (um dos músicos por quem tenho mais carinho e respeito), e não apenas um cover puro e simples de cada canção, mas versões com novos arranjos, adaptando e misturando dois estilos diferentes.

Eu não conheço muitos artistas consagrados que topariam esse tipo de desafio, e menos artistas ainda que executariam essa ideia de maneira tão natural e espetacular quanto ouvimos em Tom do Sertão.

Se você é fã de Jobim, acredito que vai gostar bastante desta homenagem. É com certeza a mais diferente que eu já ouvi, e uma das melhores, com uma carga artística ímpar. É perceptível o carinho colocado em cada arranjo, e a mistura do samba com o sertanejo de raiz está impecável. A produção acertou em cheio nestes aspectos.

Não poderia deixar de comentar também sobre a interpretação de Chitãozinho e Xororó em cada uma das músicas. Se já é impressionante o fato deles terem mantido a qualidade vocal mesmo após tantos e tantos anos de carreira (contando que os vocalistas são os que mais sofrem pra manter a técnica e a saúde ao longo do tempo), ser surpreendido com o feeling das vozes em clássicos da MPB, com linhas vocais certeiras, foi uma das coisas que mais gostei neste ano. É um presente enorme para os fãs de bossa nova e da música de raiz.

Imagino que Tom de Sertão talvez não tenha obtido o mesmo sucesso comercial que teria uma coletânea dos maiores sucessos da dupla, e é essa coisa de querer arriscar em prol da arte, arriscar em prol de tentar algo diferente, que faz do álbum esse tesouro da música.

Os destaques, na minha opinião, são Águas de Março, Estrada Branca e Chovendo na Roseira.

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