Review: Visions, do Haken

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Lembro da primeira vez que ouvi esse CD com bons fones de ouvido. O aspecto de radinho de pilha que meu antigo fone dava às músicas era quase que um crime contra esse disco. E eu não sabia disso na época. Assim que saquei diante de que tipo de trabalho eu me encontrava, Visions se tornou um vício musical enorme. Quase fundei o Hakens Anônimos (H.A.) de tanto que ouvia, e o motivo é simples: Cada músico te leva pra uma viagem diferente ao longo do álbum. É tipo um Alice in Wonderland, só que de macho.

Visions é um sanduíche de prog com recheio de jazz, e assim como os lanches engordativos do Palhaço, tem uns ingredientes especiais incríveis. Vamos à review? Como diria o outro, “confira comigo no rrrrreplay!”

Premonition: Instrumental, a faixa de abertura contém riffs de quase todo o disco. Pode-se dizer que é uma continuação natural da última (se você ouvir o disco no repeat), e já te mostra que não tem muito como esperar o que vai vir pela frente (tipo andar em um carro sem o famoso p*ta merda pra segurar).

Nocturnal Conspiracy: Com seus 13 minutos de duração, essa música é um labirinto cheio de cantos a serem explorados. Ela é pesada, tem groove, é emocionante, é agitada, calma… Se você está habituado com suítes de prog, essa é uma que vai te agradar demais. O bom gosto de todos os membros é escancarado através dos timbres e frases que usam e um desfecho muito bacana.

Insomnia: Aqui, o baixo é meu favorito, junto com as linhas vocais BEM doidonas. É perceptível um apelo pop no refrão (Não me matem por dizer isso. Não quer dizer que a música seja ruim, pelo extremo contrário), uma característica bem interessante e, até certo ponto, inesperada. Deixei o vocalista rouco, de tanto que ouvi essa música.

The Mind’s Eye: Um pouco mais calma, Mind’s Eye tem uma letra bem legal. É um exemplo muito bacana de composição, pois os caras conseguiram fazer uma música calma e forte ao mesmo tempo. Do tipo de canção que tira qualquer stress. Como se fosse uma narração do Cid Moreira.

Portals: Colada na anterior, essa faixa instrumental mostra mais uma vez o poder dos músicos do Haken. Sem abusar do virtuosismo, eles criam diversos climas diferentes. Você se sente, de fato, passando por portais.

Shapeshifter: Essa música é bem intrigante, não só pela letra, mas pela forma como o peso é misturado com outros elementos da canção. As marcações de tempo mudam de maneira interessante, criando umas combinações bem doidas e boas de ouvir. Ela também faz referências a outras canções do disco, algo que eu gosto demais. Uma das minhas favoritas do disco, sem dúvida.

Deathless: Tranquila e melancólica, Deathless é muito bonita. É uma viagem por várias várias linhas de prog e jazz, com bastante experimentalismo. Harmonia é algo que eu sempre reparo e faço questão de destacar quando é bem feita. Esse é totalmente o caso.

Visions: Voltamos em definitivo (como diria Galvão Bueno) ao prog experimental. Visions tem pouco mais de 22 minutos, e é, sem exageros, uma das canções mais bacanas que já ouvi. Ela mal acaba e você já quer ouvir de novo. A atmosfera criada pelos sons de fundo é um capítulo a parte, e eu deixo contigo a missão de explorar cada um deles. Todos os músicos tem seu ponto de destaque, mas pra mim, o vocal é o que mais se sobressai, tanto com as diversas interpretações quanto com o jeito de cantar, que chega a ser engraçado em determinados pontos, mas sem perder a qualidade, sem deixar a coisa com cara de Zorra Total nem com ar de amadorismo. A minha percepção é que o disco todo foi feito para te levar até Visions, e é um trajeto que vale totalmente a pena.

Conclusão: Visions é um disco fenomenal tanto para músicos quanto para não-músicos. Tudo nele é único. Num mercado cada vez mais saturado, o lançamento do Haken é uma excelente pedida pra quem quer sair do lugar comum. Richard HenshallCharles Griffiths colocaram guitarras na medida certa e acertaram na escolha dos timbres durante todo o disco. Diego Tejeida colocou os teclados em pé de igualdade com as guitarras, sendo responsável por boa parte do “clima” do disco. Thomas MacLean se tornou um ídolo do baixo pra mim depois de Visions. Suas linhas de baixo são fantásticas! Raymond Hearne demonstrou muito bom gosto e coerência na bateria, interagindo com toda a banda e intercalando entre peso e groove nos momentos certos. Por fim, Ross Jennings deu uma verdadeira aula de interpretação e técnica vocal. Conheço poucos vocalistas que seriam capazes de reproduzir o que esse cara fez no CD. Com este segundo álbum, o Haken mostra que mesmo no Prog, onde as coisas já são diferentes do que as pessoas estão habituadas, ainda existe muito espaço pra inovação. Visions é um disco que, sem dúvida, será lembrado muito tempo pelos fãs.

MySpace da banda: http://www.myspace.com/hakenmusic

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