Review: Weightless, do Animals as Leaders

Quem acompanha a cena do prog instrumental já deve ter ouvido falar de Animals as Leaders. O trio composto por Tosin Abasi (guitarra), Javier Reyes (guitarra) e Matt Garstka (bateria) chegou como um meteoro absoluto com seu primeiro CD (autointitulado). A resposta do público foi muito boa, e seu sucessor, Weightless, explorou ainda mais a musicalidade única da banda. É dele que a gente vai falar hoje.

A primeira coisa que você nota em Weightless é que ele tem um direcionamento mais “metal” do que o primeiro disco. Isso não quer dizer que a banda não tenha criado nada de diferente, apenas que as músicas estão mais pesadas, mas com a mesma criatividade que conquistou tantos fãs. Logo de cara, somos recebidos com um petardo. An Infinite Regression é uma música memorável, e um grande exemplo de como os caras fazem um som que é só deles. Tosin Abasi usa até algumas técnicas de baixo em sua guitarra de 8 cordas pra criar alguns dos sons que eu jamais imaginei serem possíveis de sair de uma guitarra. A forma como ele toca e as harmonias que utiliza vai surpreender até quem acha que já viu tudo quando o assunto é música instrumental.

O disco não para por aí, e somos apresentados a uma cacetada de músicas incríveis, cada uma à sua maneira. Existem várias passagens interessantes no disco, e ouvir ele diversas vezes pra explorar cada uma delas é uma experiência e tanto. O virtuosismo exuberante dos músicos é envolto em harmonias e tempos muito legais de escutar, o que espanta qualquer xaropisse que o trabalho poderia ter (muita gente ainda acha maçante ouvir música instrumental virtuose, o que é verdade em muitos casos, mas não aqui). Não são poucas as vezes que você vai pensar “como diabos eles fizeram isso?!” (só que sem a entonação de filme de velho oeste).

A produção do álbum está super bem cuidada como um todo, o que também inclui a parte visual, que casa perfeitamente com a ambientação que as músicas criam no decorrer do CD. Se você gosta de efeitos, Weightless é uma aula de como utilizá-los. A banda soube explorar muito bem esse aspecto, então os efeitos não sobram, e criam texturas fantásticas nos momentos em que são usados. A visão musical que os caras têm nesse sentido é realmente fora do comum. A soma dessa gama de sons com as técnicas de cada um forma um disco impressionante e muito divertido de ouvir.

Os destaques ficam com An Infinite Regression, Somnarium, Do Not Go Gently, New Eden, To Lead You To An Overwhelming Question e Weightless. Nessas músicas você pode perceber uma das características que eu mais gosto nas minhas bandas favoritas: Você ouve e sabe que são ELES que estão tocando. A galera sempre sabe quem é o vocal, mas conseguir ser “distinguido” pela sua forma de tocar guitarra ou bateria, por exemplo, é algo que pouquíssimos conseguem.

Pela sua forma única de fazer música (nunca ouvi algo parecido com o que eles fazem), o Animals as Leaders se tornou uma das bandas que mais ouço nos últimos tempos. Estou ansioso pelo próximo disco, mas enquanto ele não chega, Weightless é sempre uma ótima companhia.

Tracklist:
An Infinite Regression
Odessa
Somnarium
Earth Departure
Isolated Incidents
Do Not Go Gently
New Eden
Cylindrical Sea
Espera
To Lead You To An Overwhelming Question
Weightless
David

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